Monday, March 23, 2009

A (re)volta da sua ida

[...]
Nas suas intermináveis idas, eu tentava ocupar o espaço que você deixava com poemas densos, músicas infinitas e livros sem fim. Mas tudo era um pouco em vão. Tentar te esquecer era quase impossível. Sempre achei mais fácil tentar esquecer que tento te esquecer do que tentar te esquecer. A vida me deu a certeza que não ter você é te ter de outra forma. Não ter você é te pensar. E quando te penso, te vejo presente. Te vejo aqui. E nesses pensamentos acabo enxergando você de tantas formas, com tantos conteúdos, com tantos absurdos, com tantas vestimentas, com tantos sentimentos, com tantas alegrias. Contanto, eu não lembro o tanto que eu já chorei esperando um sinal de vida, mesmo que seja só pra me avisar que você morreu.

Ontem, por exemplo, e por costume, vi os seus olhos marejados e chorei. Não chorei apenas porque via tristeza no seu olhar. Chorei porque a sua alegria teimava em querer escapar das suas mãos, da sua pele, dos seus cabelos, do seu corpo – como se você não tivesse o direito de ter, também, pequenas doses diárias de felicidade momentânea. É raro ver um sorriso compartilhar a mesma lágrima com o choro. Eles se entendem, mas é um entendimento que quem chora ou ri não entende.

Suas lágrimas são misturas. Misturam o tempo que passou com o tempo que não existe, misturam os dias que você dormiu com as noites que não acordou, misturam passeios, anseios, sonhos, paixões antigas, amores futuros, vômitos, melodias inconscientes, loucuras conscientes, tropeços, poemas e, tenho certeza, que elas guardam um pouco de mim. Sempre fui de alguma forma, causador dessa sua dor. Não entenda “dor” por mal, amor. A dor que me refiro é a dor necessária dos amantes. É aquela dor que quem ama sabe que não tem a pretensão de destruir. É aquela dor que quem ama sabe que não vem pra derrubar. É aquela dor que [...] você sabe, amor. Você sabe que eu quero me derreter e dividir as suas alegrias e as suas tristezas. Todas elas. Você sabe que hoje, eu vou dormir um pouco mais feliz, ou triste, porque, pelo visto, suas intermináveis idas terminaram.
[...]

4 comments:

Ivan Cavalcante said...

Pedro,
Eu mantenho contato com a rapazeada da EmBranco, vi o link do teu blog la. Vou botar o link do teu no meu blog tambem valeu?
De novo parabens pelos textos!
Abraços

Ivan Cavalcante

Camila. said...

Ah, Pedro Gabriel.
O último parágrafo me soou tão aqui, que pude sentir uma respiração no pescoço.
Que a dor do amor... Fantástica. ''É aquela dor que quem ama sabe que não tem a pretensão de destruir. É aquela dor que quem ama sabe que não vem pra derrubar. É aquela dor que [...] você sabe, amor.''

L. said...

eu ia dizer quase a mesma coisa que a camila.
"A dor que me refiro é a dor necessária dos amantes. É aquela dor que quem ama sabe que não tem a pretensão de destruir. É aquela dor que quem ama sabe que não vem pra derrubar. É aquela dor que [...] você sabe"
ah, eu sei tão bem. sabemos.
e eu gosto de como você sente. (e pressinto que já te disse isso, mas digo mais uma vez pra deixar bem claro)
um beijo.

Dênis Rubra said...

Obrigado por ler meu blog Gabriel!
Vi todos os seus e adorei, parabéns.
Comentei nesse pois o "A (re)volta da sua ida" é maravilhoso, me identifiquei bastante!
Parábes novamente!
Abraço