Friday, March 02, 2007

A medida do meu imensurável grande amor

O que se foi e o que restou é uma parte do que sou e se eu sou o que eu sei – como pude me esquecer que o que se foi e o que restou é um resto do que sou que se parte em uma parte e que parte sem lembrar?

Meu grande amor é quase humano, é quase um mantra, é quase manso; foi quase feito para sentir, mas quase sinto se diluir numa imensa solidão provocada tão em vão. Meu grão de amor é tão pequeno mal cabe ele no sentimento, mal sabe ele o bom momento para crescer e não sumir; só ele sabe o bem enorme que ele me faz enquanto dorme, enquanto eu, bem acordado, desenho sonhos premonitórios. Meu grande amor não tem medida e à medida que vai sumindo, vai se tornando sem sustento, vai se tornando o alimento; o alimento e o lamento de uma nova geração baseada nas velhas leis dos amores desleais.

Meu grande amor é quase tudo e ao mesmo tempo não é nada e não há nada de mais certo do que amar o indeciso. Meu grande amor é quase tudo e ao mesmo tempo não é nada e não há nada de mais certo do que amar o indeciso.

Meu grande amor é quase médio, é quase médium, é quase o meio, o intermediário entre o centro e o ventre do universo. É um verso semi-morto, um poema quase torto, uma fala sem contexto ou um texto sem palavra. Meu grande amor é um absurdo se faz de mudo, se faz de surdo, e além de tudo é quase cego e faz esforço pra não ver a força bruta que eu carrego que fortalece naturalmente o meu físico enfraquecido e os meus músculos indefinidos. Meu grande amor é imortal e ele vive a se esconder nas ruas mais escuras, nos becos e nas bocas, nos beiços e nos beijos das putas e das santas, das boas e das fúteis, das gordas e das finas; e em cada mil esquinas e a cada meio metro ele me deixa uma mensagem e depois cai no esquecimento.

Meu grande amor é quase tudo e ao mesmo tempo não é nada e não há nada de mais certo do que amar o indeciso. Meu grande amor é quase tudo e ao mesmo tempo não é nada e não há nada de mais certo do que amar o indeciso.

3 comments:

talita said...

você é um ser... hum...

estranho.

Daniela said...

Por que seus amores são sempre cercados de indecisão e mistério? Seria essa a solução? Ou será q não tem solução, a solução é ser o amor e não ter?!

Viu...eu li o texto =P

Anonymous said...

Aprendi muito